Ética dos Hackers – Pekka Himanen
“Indivíduos que se dedicam com entusiasmo à programação que acreditam que o compartilhamento de informações é um bem poderoso e positivo, e que é dever ético dos hackers compartilhar suas experiências elaborando softwares gratuitos e facilitar o acesso a informações e a recursos de computação sempre que possível.”
Grupo de programadores fanáticos do MIT, 1960
“Um hacker é um perito ou um entusiasta de qualquer área. É possível ser um hacker em astronomia, por exemplo. Nesse sentido, é possível ser hacker sem ter nada a ver com computadores.”
Arquivo de jargões dos hackers
Tendo em mente esses pensamentos podemos concluir que um hacker é motivado pela paixão e liberdade. Linus Torvalds é um excelente exemplo, autor de uma das mais famosas criações hacker de nossa era, o sistema operacional linux, incentivado por sua “lei de linus” onde ele afirma que “os fatores que atuam como motivações podem ser classificados em três categorias fundamentais. E o mais importante é, assim como no processo de evolução, passar de uma fase para outra ou mudar de categoria. As categorias são nessa ordem, sobrevivência, vida social e diversão” onde ele também fala que “o dinheiro da motivação por aquilo que ele proporciona, em ultima instância, o dinheiro é a ferramenta definitiva para obtermos o que realmente desejamos.”
Os hackers não vêem o computador como um meio de sobrevivência, mas sim como diversão. Portanto, o importante não é ganhar dinheiro, mas sim compartilhar suas descobertas.
Citando a Lei de Linus
“O pastor protestante Richard Baxter descreve a forma purista da ética do trabalho da seguinte forma “É através da ação que Deus nos manteve e às nossas atividades; o trabalho é a ética e o fim natural do poder” e dizer “Vou orar e meditar [em vez de trabalhar] é como se seu servo se recusasse a seu trabalho maior e se lançasse a algo menos, mais fácil”. Deus não gosta de ver as pessoas só sentadas e meditando. Ele deseja que elas façam seu trabalho (…) Um bom servo de Deus deve fazer todo o serviço em obediência ao Senhor, como se Ele próprio tivesse ordenado.”
Referente à “Ética protestante do Trabalho” de Max Weber
“Mudanças tecnológicas ocorridas em um curto espaço de tempo tornam imperativo levar novas tecnologias aos consumidores de forma rápida, antes que outros concorrentes o façam. Os produtos dos retardatários ficam obsoletos, sendo que reações tardias às mudanças tecnológicas fundamentais são ainda piores.”
A Era da Informação de Manuel Castells
“Para agir como um hacker é preciso acreditar nisso [que as pessoas nunca deveriam ser escravas do trabalho repetitivo e imbecil] o suficiente para querer jogar fora as partes que não prestam, não só por si mesmo, mas em nome de todos (…) Para os hackers, obter reconhecimento individual não deve substituir a paixão – pelo contrário, o reconhecimento deve resultar da paixão.”
Eric Raymond
“O armazenamento dos atos dos indivíduos em meios eletrônicos significa, em última instância, que nenhum ato será desconhecido. Na Era da Eletrônica, o portão do mosteiro é guardado por um São Pedro armado com um computador, sendo que a única diferença que ele guarda com Deus Onisciente é que esse São Pedro não perdoa. Durante a entrevista de emprego, toda a vida do candidato é levantada, e o candidato tem de pagar por todos os seus pecados: aos seis anos, você criticou um colega pela Rede de uma maneira politicamente incorreta; aos quatorze anos, você visitou sites pornográficos; aos dezoito anos você confessou, numa sala de chat, que experimentou drogas… (…) um número crescente de empresas também exerce vigilância (…) muitos hackers abominam qualquer tipo de violação dos limites individuais, não importa se tais violações ocorrem durante o expediente ou fora dele.”
Consideração Crítica
O autor põe uma comparação entre a ética protestante do trabalho e a ética do trabalho dos hackers, enfatizando diversos pontos da ética protestante de onde os hackers se incentivaram a desafiar, sobre motivação de vida e administração comercial de tempo, as quais eu concordo plenamente, pois se todos envolvidos tecnologicamente compartilhassem informações a raça humana provavelmente estaria um patamar acima, uma era além, sem falar que mais felizes uma vez que poderiam administrar o tempo de forma agradável. Os hackers não são contra ganhar dinheiro, eles são contra ganhar dinheiro escondendo informações, portanto, utilizando do modelo aberto, também chamado open source, algo que tem chamado minha atenção, o qual foi o motivo de minha escolha nesse exemplar. Partindo de um programa inicial, no caso de ele ser aberto, a divulgação dele na internet com certeza se for útil alguém continua o desenvolvimento para si próprio ou estabelece uma parceria de desenvolvimento, a partir do momento em que ele é livre ele crescerá muito mais rapidamente e com toda certeza qualitativamente. Himanem afirma que os verdadeiros hackers ensinam uns aos outros, pois deles vem o princípio de compartilhamento de informações. Os hackers não se vêem como professores, mas sim como companheiros de aprendizagem. E pode parecer ironia, mas com o surgimento da rede esses mesmos hackers querem sigilo dos dados, porém, é uma questão que merece atenção, privacidade do usuário é importante. Aqueles que conseguem unir a ética dos hackers – trabalho, dinheiro e ética da rede – ganham o respeito da comunidade e tornam-se verdadeiros heróis.